Empreendedorismo

Empreendedoras apostam no desapego e na moda consciente em novo brechó

Duas empreendedoras de Santa Catarina, Caroline e Sabrina, abriram um brechó que une desapego e moda consciente, apostando na valorização de roupas e marcas locais. Esse movimento reflete a tendência crescente de consumo sustentável e pode ser uma inspiração para quem busca inovar no seu próprio brechó (ou repensar o estoque).

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Empreendedoras apostam no desapego e na moda consciente em novo brechó

A moda, assim como muitos setores da economia, está passando por transformações que impactam tanto quem produz quanto quem consome. Hoje, roupas e acessórios vão além de simples vestimentas; eles transmitem mensagens, especialmente em tempos de posicionamento político. E a real é que a sustentabilidade está em alta (não é novidade, mas é sempre bom lembrar). Renovar e compartilhar são ações que fazem parte da nova economia, que vem ganhando força em várias cidades brasileiras.

O Desapegue: um novo conceito de brechó

Caroline Bremm, de 35 anos, é uma das empreendedoras que está surfando essa onda. Natural do Acre, ela se mudou para Florianópolis e, ao trabalhar na área de eventos, conheceu Sabrina Rosa, de 30 anos. Juntas, elas sempre discutiram sobre o desperdício de materiais e o destino do que é descartado. “O uso de materiais, muitas vezes por pouco tempo, sempre foi um assunto que discutimos”, conta Caroline. A chegada do primeiro filho fez com que ela refletisse ainda mais sobre consumo e impacto ambiental.

Decididas a empreender, em junho do ano passado, Caroline e Sabrina descobriram o projeto Desapegue, criado em 2016 pela capixaba Júlia Bottechia. “Eu conhecia o projeto desde o início e, quando nos unimos, encontramos nele uma forma de começarmos de acordo com nossos desejos”, revela Sabrina.

Recentemente, elas abriram as portas do Desapegue em Trindade, um bairro de Florianópolis onde a efervescência acadêmica dita as regras de consumo. O espaço é um misto de brechó e loja de pequenas marcas locais, focadas na chamada slow fashion — um conceito que prioriza a valorização do produtor local e busca minimizar o impacto ambiental. É uma abordagem que faz todo sentido, especialmente para quem está no ramo de brechós.

Desapego e curadoria de qualidade

O apelo do Desapegue é para aqueles que têm roupas guardadas há muito tempo sem uso. “Chamamos para o desapego. A curadoria na escolha das peças à venda é feita por nós mesmas, sempre buscando produtos de qualidade e dando a eles novas donas, criando novas histórias”, explica Caroline. Essa curadoria é um diferencial que pode ser uma boa estratégia para quem tem brechó. Montar uma seleção de peças que realmente contam uma história pode atrair clientes que buscam mais do que apenas roupas.

A loja também serve como um espaço de compartilhamento. As sete marcas selecionadas para o início do projeto são de mulheres que estão empreendendo e vendem apenas pela internet. Elas são convidadas a visitar a loja semanalmente para conhecer suas consumidoras e seguir regras que eliminam o uso de plástico na produção e embalagens. Essa iniciativa de criar um espaço para pequenas marcas é uma ótima ideia para quem quer diversificar a oferta no brechó e fortalecer a comunidade local.

Eventos e conscientização

Um dos objetivos de Caroline e Sabrina é usar sua experiência em eventos para organizar ações que promovam temas como empoderamento feminino e sustentabilidade. “Queremos trazer mais pequenas marcas e proporcionar o encontro entre produtores e consumidores”, afirma Caroline. Isso mostra que o brechó não precisa ser apenas um espaço de venda, mas também um ponto de encontro para discussões e trocas de ideias.

Apesar dos desafios comuns a quem decide empreender, elas notaram um público mais maduro do que esperavam. “Acreditamos que esse tipo de projeto pode ser sustentável como negócio”, diz Sabrina. O Desapegue é a primeira unidade fora da cidade onde nasceu, e as sócias estão animadas para ver como o projeto se desenvolverá.


Outros projetos inspiradores

Enquanto isso, outros projetos pelo Brasil também estão impulsionando a moda consciente:

  • Gaveta: Criado por Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino, esse projeto nasceu em São Paulo e promove a troca de roupas entre participantes. Com o sucesso, já foram trocadas mais de 22 mil peças em eventos.
  • Roupa Livre: Apelidado de “Tinder das roupas”, o aplicativo permite que as pessoas troquem roupas que não usam mais. Além disso, organiza eventos e mapeia iniciativas.
  • Fashion Revolution: Um movimento global que surgiu após uma tragédia na indústria da moda, buscando aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda.
  • Ordem na Casa com Marie Kondo: A série da Netflix, embora não focada exclusivamente na moda, traz lições sobre organização que podem ser aplicadas no dia a dia.

Tendências de consumo

O Euromonitor, um serviço global de consultoria, divulgou recentemente um estudo que identifica tendências de consumo. Entre elas, duas se destacam e se conectam com o movimento slow fashion:

  • Quero um mundo sem plástico: Os consumidores estão usando seu poder de compra para protestar contra o uso irresponsável do plástico.
  • Consumidor consciente: Esse consumidor flexível escolhe produtos com base em sua consciência ambiental e social.
Essas tendências são oportunidades para brechós se posicionarem como espaços de moda consciente e sustentável.
  • Separe suas peças que estão paradas há muito tempo e monte uma seção de "desapego" na sua loja, convidando clientes a contribuírem com suas roupas.
  • Considere convidar pequenas marcas locais para expor em seu brechó, criando um espaço de colaboração e fortalecimento da comunidade.
  • Organize eventos que promovam a sustentabilidade e o empoderamento feminino, usando sua experiência em eventos para atrair mais público e engajamento.
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