Geração Z e a moda sustentável: o que as marcas precisam saber
A Geração Z está mudando o jogo da moda ao priorizar sustentabilidade e rastreabilidade nas compras, pressionando marcas a adotarem práticas responsáveis. Com o mercado de moda sustentável projetado para atingir U$ 20 bilhões até 2033, quem tem brechó precisa ficar atenta a essa nova demanda (e a COP 30 só aumenta a pressão).

Quando o assunto é moda, as novas gerações estão mudando o jogo. A Geração Z, em especial, está trazendo uma nova perspectiva que pode influenciar diretamente o seu brechó. Um estudo da Consumoteca, chamado Geração Ctrl+Z, revela que essa turma (que nasceu entre 1995 e 2010) não está apenas preocupada em encontrar peças bonitas, mas também quer saber de onde elas vêm e qual o impacto que sua produção causa no mundo. Vamos entender melhor essa onda e como ela pode ser relevante para o seu negócio.
O que a Geração Z quer?
A real é que, para a Geração Z, a moda não é só sobre estilo. Eles priorizam práticas que demonstram consciência ambiental e social, como:
- Compra de itens com sustentabilidade comprovada
- Troca e aluguel de roupas
- Revenda e reuso
- Customização de peças
Essas práticas são vistas como formas de expressar criatividade e autenticidade. André Salem, fundador da Blockforce e da Fair Fashion, destaca que essa geração quer saber tudo sobre as peças que consome: quem as produziu, como foram feitas e quais os impactos dessa produção. É uma mudança de mentalidade que pode impactar diretamente suas vendas.
A pressão sobre as marcas
Com essa nova demanda, as marcas estão sendo pressionadas a repensar seus modelos de negócios. O que antes era um padrão de “moda linear” — produção em massa e consumo rápido — agora não é mais suficiente. Marcas grandes estão começando a implementar tecnologias de rastreabilidade, como QR codes em etiquetas, que informam o consumidor sobre a origem e as condições de produção das peças. Essa prática já está influenciando decisões de compra, e a tendência é que isso se amplie.
Com essa transformação, as marcas que não se adaptarem correm o risco de perder espaço rapidamente. Salem enfatiza que as práticas de rastreabilidade e comunicação transparente não são mais diferenciais, mas sim requisitos básicos para competir no mercado atual. Isso é um alerta importante para quem tem brechó: a transparência e a responsabilidade social podem ser suas aliadas.
O efeito COP 30
A proximidade da COP 30, que acontecerá em Belém em novembro, promete intensificar a discussão sobre responsabilidade socioambiental no Brasil. A pressão regulatória sobre as cadeias globais pode acelerar a transformação do mercado local, o que é um ponto a ser observado por quem atua no setor. André Salem coloca que o comportamento da Geração Z é um termômetro para o futuro do varejo. Eles estão unindo ativismo e consumo consciente, e isso pode se expandir para além da moda, atingindo outros setores.
Para as marcas, adaptar-se a essa nova realidade deixou de ser uma opção. Como Salem conclui, adotar práticas responsáveis não é apenas uma questão de marketing, mas de sobrevivência competitiva. Portanto, se você ainda não está pensando em como tornar seu brechó mais sustentável, talvez seja a hora de repensar suas estratégias.
Insights práticos para seu brechó
- Separe suas peças que têm história e que podem ser customizadas — isso pode atrair a Geração Z, que valoriza a autenticidade.
- Teste a implementação de QR codes nas suas etiquetas, informando a origem e o impacto das peças que você vende.
- Monte uma seção no seu brechó dedicada a roupas sustentáveis e faça uma campanha sobre a importância do consumo consciente.


