Os hábitos de compra da Gen Z estão moldando o futuro da moda: brechós online
Os hábitos de compra da Gen Z estão moldando o futuro da moda: brechós online.

A real é que o futuro da moda parece muito com roupas usadas. E quem está impulsionando essa mudança? A Gen Z, claro.
O mercado de roupas de segunda mão está em franca expansão. Atualmente, ele vale cerca de R$ 150 bilhões, segundo uma nota recente da Jefferies, e a expectativa é que cresça anualmente 18% até 2024. Aproximadamente um quarto desse mercado de segunda mão é composto por roupas revendidas, que a Jefferies estima que crescerá 39% anualmente no mesmo período, podendo eventualmente representar mais da metade do mercado.
Traduzindo: a Jefferies prevê que o mercado de roupas de segunda mão se torne uma porcentagem média na casa dos dois dígitos do mercado total de vestuário na próxima década, impulsionado pela revenda online. E quando isso acontecer, todos os outros grupos demográficos estarão apenas tentando alcançar a Gen Z, que já está lá.
Se você precisa de provas, é só olhar para aplicativos de compras sociais como Poshmark e Depop. Ambos conquistaram uma grande base de usuários da Gen Z, que têm usado esses aplicativos para vender e comprar roupas e acessórios de segunda mão.
"Esta empresa é para a próxima geração", disse Rachel Swidenbank, vice-presidente de marketplace da Depop, em uma entrevista anterior. Ela revelou que 90% dos usuários do Depop têm menos de 26 anos.
Reutilizar e revender roupas ajuda essa geração digital a vestir peças novas (para eles) sem estourar o orçamento, evitando repetir looks que ainda não foram postados nas redes sociais. Além disso, existe a questão da sustentabilidade — a Gen Z está mais disposta do que qualquer outra geração a pagar mais por produtos sustentáveis, segundo uma análise de gastos dos consumidores realizada pela First Insight.
Para os vendedores ativos, isso também se tornou uma ferramenta para iniciar um lucrativo negócio paralelo. Vendedores do Depop podem faturar até R$ 1,5 milhão por ano e já conseguiram comprar casas e carros antes mesmo de chegar à faculdade, afirmou Swidenbank. Jovens vendedores no Poshmark contaram à Insider que conseguiram transformar suas vendas em um negócio em tempo integral, ganhando seis dígitos ou mais em vendas anuais.
Mas mesmo que a Gen Z esteja liderando essa febre de segunda mão, não são eles os únicos a se deixar levar pela tendência. Emily Farra reportou em novembro para a Vogue que o interesse por roupas de segunda mão, vintage e upcycling ganhou força em 2020. Ela citou o relatório anual Year in Fashion da Lyst, que revelou um aumento de 35 mil buscas por "moda vintage" e um crescimento de 104% nas entradas para palavras-chave relacionadas a segunda mão em setembro.
Os consumidores estão repensando sua pegada de carbono e buscando peças mais únicas à medida que as marcas de roupas se tornam cada vez mais comuns. Mas também é importante notar que a escolha de uma peça vintage pode transmitir uma mensagem mais sutil do que um logotipo chamativo em um mundo pandêmico.
Como Farra escreveu: "Em um ano difícil, que viu um desemprego alarmante e inúmeras empresas fechadas, a mudança em direção ao vintage e à segunda mão pode ser uma questão de desejo por uma moda menos conspícua."
Portanto, a mensagem é clara: a Gen Z está moldando o futuro da moda, e a revenda online é uma parte fundamental dessa transformação. Para as donas de brechó, isso significa que é hora de se adaptar e inovar, aproveitando essa onda de interesse por moda sustentável e única.
- Separe suas peças de segunda mão e crie uma campanha de marketing focada na sustentabilidade, destacando como sua loja contribui para um consumo consciente.
- Explore plataformas de revenda online e teste a venda de suas peças em apps como Depop e Poshmark para alcançar o público jovem.
- Monte uma vitrine temática com roupas vintage, aproveitando o aumento do interesse por esse estilo, e promova-a nas redes sociais.

